Migração e Miscigenação: Fatores de Repulsão a Portugal e Fatores de Atração para o Brasil

Escudo Nogueira

Consultando o conteúdo do Dicionário das Famílias Brasileiras de Carlos de Almeida Barata e Antonio Henrique Cunha Bueno, no que se refere à Família Nogueira, há uma barafunda de nomes, datas e lugares, porém sem uma genealogia precisa. De tudo, o mais interessante é o seguinte:

Nogeyra – sobrenome de uma família originária da Espanha, à qual pertence Juan Antônio Nogeyra, soldado voluntário, que emigrou para o Rio Grande do Sul em 1815 (Registro de Rstrangeiros, 1808, 226).

Nogueira – sobrenome de origem toponímica, tomado da propriedade da família. da árvore Nogueira (Anuário Genealógico Latino, iv, 25) descende esta família de D. Mendo Paes Nogueira, sobrinho de D. Mendo Nogueira, cavaleiro da Ordem dos Templários, em 1089. Seu solar é a Torre de Nogueira, na ribeira do rio Minho. O morgado dos Nogueiras era dos Viscondes de Vilanova de Cerveira (Anuário Genealógico Latino, i, 71). Continuar a ler

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Familia Patriarcal Brasileira

O mal de toda familia humana é que todos querem ser pai

Gilberto Freyre prefaciou sua obra prima, Casa Grande & Senzala, em 1933. Sua prosa talvez choque aos olhos de hoje em muitas passagens preconceituosas. Porém, o que mais se destaca é sua erudição sociológica e antropológica. Trata de fenômenos culturais específicos da formação do Brasil como nenhum outro autor jamais tratara. Vale sempre o reler e extrair algumas reflexões saborosas, embora possamos delas discordar em termos do “politicamente correto” contemporâneo. Basta recordar o choque cultural que tivemos com a pesquisa que constata, em cerca de ¼ dos brasileiros, ainda a permanência do velho impulso primitivo ao estupro. Há muitos incultos violentos. Continuar a ler

Família Nogueira: Imigrante Brasileira

Família Nogueira

Circula uma versão da história da imigração da Família Nogueira, na web, onde não se registra os fatores de repulsão em relação a Portugal nem os fatores de atração para se ter o Brasil como destino.

Por essa versão parcial, a família Nogueira que veio para o Brasil é originária de um único tronco que se instalou no atual Rio de Janeiro e em São Paulo. Lá teria sido no bairro conhecido na capital como Brás, em homenagem ao seu fundador, o português José Brás, bandeirante do século XVII . Parte dessa família rumou para Bragantina e a outra e outra para Itapetininga, espalhando-se por todo o interior paulista e de outros estados. Continuar a ler

Preconceitos Antissemitas

Inquisição antissemita

Foram inúmeras as famílias nobres que, em Portugal, como na Espanha, absorveram sangue de árabe ou mouro. Havia inclusive frades polígamos e femeeiros. Muitos Mendo, tal como o D. Mendo Nogueira, cavaleiro da Ordem dos Templários, em 1089, suposto ascendente desta família, que pelo nome e pelo fervor cristão se diriam sem mancha nenhuma de islamismo na ascendência foram portugueses de avô ou avó moura ou árabe. Nenhum elemento de identificação mais inseguro de origem na sociedade portuguesa que os nomes de pessoa e de família – tão embaralhadas andaram sempre na Península Ibérica as etnias, as culturas e as classes sociais.

Afirma Gilberto Freyre em sua obra prima, Casa Grande & Senzala: “o que sucedeu com os mouros, verificou-se também, até certo ponto, com os judeus. De uns e de outros deixou-se penetrar, em suas várias camadas, a sociedade portuguesa” (1994: 215). Continuar a ler

Nogueira: Templário ou Pragmático?

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Era uma vez, ao longo da Idade Média, os judeus habitarem, preferencialmente, de acordo com as suas ocupações profissionais, nas maiores aglomerações urbanas do Reino, em bairros próprios denominados judiarias. Mourarias eram no caso dos bairros de árabes ou mouros, que eram menos numerosos.

Todos os dias, lá permaneciam, praticando o seu culto, falando o seu idioma, e mantendo as suas tradições ancestrais. Diplomaticamente, mantinham fidelidade à Coroa, a ela se subordinando. À parte alguns incidentes, principalmente motivados por questões religiosas, a sua vida no Reino não correu nunca grandes riscos de ser posta em causa.

Até que um diaContinuar a ler

Cristão-Novo ou Converso

Brasão Nogueira - Galícia

Cristão-novo ou converso era a designação dada em Portugal, Espanha e Brasil aos judeus e muçulmanos convertidos ao cristianismo, em contraposição aos cristãos-velhos.

Sempre existiram minorias étnicas e religiosas em Portugal. Judeus, mouros e, mais tarde, ciganos, constituem os contingentes mais expressivos. Os primeiros antecedem provavelmente as invasões dos segundos, tendo gozado muitas vezes de proteção e favorecimento régios, mercê das suas fortunas e atividades mercantis, e até da sua preponderância cultural.

Inseridos no Portugal agropecuário e piscatório, dedicar-se-ão aos ofícios ou a atividades liberais (comércio de capitais, ciência, medicina, farmácia, artesanato, ourivesaria, sapataria, alfaiataria e tecelagem) e gradualmente ao comércio e à finança, onde não conheciam grande concorrência.

Após a expulsão dos judeus de Espanha por Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, em 1492, cerca de 60.000 judeus que se recusaram converter-se ao religião cristã emigraram para Portugal. Era o ano em que Cristovão Colombo descobriu o Novo Mundo, isto é, as Américas. Seria a chance histórica de edificar uma sociedade com mais miscigenação e menos discriminação étnica do que a europeia. Continuar a ler

Antecedentes Históricos

Brasão da Família Nogueira em Portugal

A conquista da Lusitânia pelo Império Romano e a posterior destruição de Jerusalém em 70 d.C., que obrigou os judeus a se dispersarem pelo mundo (“Diáspora judaica“), fez com que um grande contingente de hebreus buscassem um novo lar na Península Ibérica, ou para ali fossem deportados, como ocorreu no tempo do imperador Adriano. Embora não se saiba exatamente quando se iniciou tal movimento migratório, a presença de judeus no território que futuramente constituiria Portugal pode ser comprovada a partir do século VI d.C., pela descoberta de inscrições funerárias na freguesia de Lagos da Beira.

Com o advento do Cristianismo, leis discriminatórias contra os judeus começaram a ser aprovadas – primeiro, pelos romanos, e depois pelos bárbaros Visigodos que invadiram a península em 409 d.C.. Entre outras coisas, foram proibidos os casamentos mistos entre judeus e cristãos e até mesmo instituída uma conversão forçada ao cristianismo. Outras conversões compulsórias em massa foram realizadas ao longo da História. Continuar a ler