Entrevista com Guaracy de Castro Nogueira (Dr. Guaracy )

Dr. Guaracy de Castro Nogueira

História de Vida: Projeto e idealização Helenio Lara – Realização – Santana FM – 11 de Novembro de 2010

Faleceu no sábado, dia 17/09/2011, aos 83 anos de idade, Guaracy de Castro Nogueira, mais conhecido na cidade de Itaúna como Dr. Guaraci. Ele passou mal em casa e socorrido por uma unidade do SAMU. Deu entrada no Hospital Manoel Gonçalves, as 21h45 e faleceu as 00h50. O corpo chegou por volta das 5 horas da manhã na Câmara Municipal de Itaúna, onde foi velado e recebeu as homenagens de amigos, políticos, autoridades e Entidades. O cortejo foi as 16h em carro aberto do Corpo de Bombeiros de Itaúna da Câmara Municipal até o Cemitério Central. Guaracy de Castro Nogueira é advogado, historiador, professor aposentado, nasceu em 1927, casou com Yvette Gonçalves Nogueira, com quem teve seis filhos e nove netos. Dr. Guaracy de Castro Nogueira é considerado por muitos como um dos homens mais cultos de Itaúna.

Reproduzo abaixo a entrevista com o historiador, professor e advogado aposentado Guaracy de Castro Nogueira, nascido em Itaúna em 1927, casado com Yvette Gonçalves Nogueira tem seis filhos e nove netos. Na companhia industrial itaunense, empresa têxtil e Siderúrgica exerceu por 38 anos cargos executivos, chegando a superintendente do Departamento de Planejamento e Relações Indústrias. Fundou na empresa os jornais “Avante”, “Voz Operária” e “O Itaunense”.

 

Santana FM: Conte um pouco pra nós sobre sua família e o início de tudo em Itaúna?

 

Guaracy de Castro Nogueira: Eu estudava em Belo Horizonte, no colégio Arnaldo e depois na faculdade de Direito da Universidade Federal.

E nas férias, eu comecei a namorar a Yvette, numa quinta feira da semana Santa do mês de março. Esse namoro prosperou ao longo da minha juventude. Em Belo Horizonte eu tive outras namoradas, mas aquele inicio foi marcante e decisivo. Formado continuei a namorar, foi um namoro longo quase dez anos, meu sogro já estava aflito, eu já estava quase adquirindo estabilidade no noivado, era muito interessante pois naquela época o namoro era na Praça da Matriz, as moças andavam em um sentido e os rapazes em outro, raramente havia um encontro, era um flerte.

 

Quando comecei a frequentar a casa da Yvette, eu sentava na sala ao lado dela e a mãe dela ficava lá vigiando, foi interessante, pois quando ficamos noivos, na época tinha que comunicar a sociedade, através de um aviso à família comunicava que os casais estavam noivos, pois se aparecêssemos de mãos dadas na rua era um escândalo e o noivado justificava.

 

Posteriormente é que havia o outro convite para o casamento. Eu me casei em Janeiro no dia 29 de 1955, demos uma festa no Automóvel Clube, foi realmente um grande acontecimento, quem levou as alianças foi um menino chamado Marcos Guimarães Cerqueira Lima, hoje o deputado Marcos Lima e a dama de honra foi Maria Eleonor, esposa de José Aparecido (ex-Ministro da Cultura, recentemente falecido), prima primeira da Yvette. Nosso casamento foi muito feliz. Hoje sou um homem felicíssimo, tenho seis filhos, todos formidáveis e nove netos. Eu quis que todos os filhos estudassem, mas nem todos quiseram.

Eu era a maior autoridade na fábrica, na Companhia Industrial Itaunense, era superintendente.

 

Enviei o meu Rodrigo Otávio para o Rio de Janeiro, e lá ele fez Engenharia Têxtil, o outro filho, Alexandre também fez faculdade e tornou-se técnico têxtil; o Eduardo resolveu estudar em Ouro Preto, e o Leonardo foi o único que não quis fazer faculdade, ele é o caçula.

 

O Rodrigo Otávio me deu três netos; o Rafael hoje é assessor parlamentar do deputado José Fernando; o Bernardo Corradi está em Goiânia, se deu muito bem, fazendo Estudos Sociais, tem vocação política, ambos já fizeram viagens internacionais; o Rafael ficou um ano na Índia e o Bernardo ficou um ano na Ásia, de forma que eles amadureceram muito com estas experiências e se tornaram muito independentes. O meu terceiro neto, Otavio, vai para o México, onde ficará um ano por lá fazendo Intercambio Cultural.

 

Assim é a minha família da qual eu muito me orgulho, as duas filhas não se casaram, isso foi um premio para mim, a Patrícia e a Virginia. A Patrícia é economista e a Virginia trabalhou na Farmácia Therapia e hoje está com trabalhando independente, com cartões de créditos de uma firma.

 

Santana FM: O senhor nunca quis seguir carreira política por que?

 

Guaracy de Castro: Eu estava sempre preso à comunidade. Em Itaúna acho que exerci todos os cargos que uma pessoa pode exercer. Cheguei a ser vice – prefeito, mas nunca prefeito, nunca quis.

 

Santana FM: Em que clima surgiu a iniciativa de pesquisar sobre as famílias de nossa terra? E o significado disso para o senhor?

 

Guaracy de Castro: Em 1948 foi isso, eu não havia me formado quando comecei com essa mania. Meu tio Jovito, foi o grande responsável pelo meu amor pela genealogia e pesquisa. Então formado, eu comecei a ir aos cartórios das cidades mais importantes: Sabará, Ouro Preto, Mariana e Pitangui. Acabei comprando muitos livros, hoje tenho um acervo que não existe outro igual em Minas Gerais, vem gente até do Rio de Janeiro pesquisar. Assim criamos o Instituto Cultural “Maria de Castro Nogueira; tem mais ou menos 7 mil livros, raros e importantes, livros que nem devem ser encontrados mais porque, o maior livreiro do Brasil, que era itaunense e Moravano Rio de Janeiro, Walter Alves da Cunha, e era brigado com Itaúna, porque a família dele perdeu tudo no jogo. E eu consegui fazer com que este homem voltasse a Itaúna e ficou amigo meu e me forneceu a maioria dos livros que tenho em meu acervo. Tenho tudo no computador, falta publicar.

 

Santana FM: O senhor escreveu quantas obras e quais as abordagens?

 

Guaracy de Castro Nogueira: O primeiro trabalho meu aqui em Itaúna foi sobre a Revolução Liberal de 1842, eu construí o primeiro monumento aqui em Itaúna, na Praça Luiz Ribeiro no monumento tem o nome dos noventa Itaunenses que naquela época, criaram aqui o Clube Republicano 21 de Abril, eu fiz um trabalho sobre isso. Depois o meu trabalho sobre a história de Itaúna, foi feito em parceria com o Jornal “Folha do Povo”, publiquei quarenta fascículos sobre a historia de Itaúna, reformulando todos os conceitos que havia até então; foi eu quem descobriu quem fundou Itaúna, quais foram os primeiros povoadores; eu publiquei muito pouca coisa, tenho artigos publicados em algumas das melhores revistas do Brasil. Sou sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Instituto Brasileiro de Genealogia de São Paulo, sócio da Arcádia Mineira, tenho sido procurado por diversas pessoas pra fazer pesquisas.

 

Rádio Santana: Fale um pouco sobre o livro “Centro Oeste História e Cultura” ?

 

Guaracy de Castro: A ideia deste livro nasceu em um encontro em Divinópolis, em que foram convocadas as cidades do centro oeste mineiro, mas ninguém sabia definir o que é Centro Oeste. Diante disso foi feita uma pesquisa com o pessoal do CDE e foram eleitas 77 cidades, que se definem como Centro Oeste Mineiro. A região era tida como confusa e daí então nascia a idéia do livro; foi feito um projeto para conseguir R$180.000,00 (Cento e oitenta mil reais), para o lançamento do livro através de incentivos fiscais da cultura, o projeto foi aprovado e foi feito o levantamento de cada cidade, pois com a aprovação do projeto somente se da o direito dos autores do projeto procurarem firmas para subsidiar o mesmo, da Usiminas patrocinou o livro com R$120.000,00 (Cento e vinte mil reais) , a Ergon do Brasil contribuiu com R$50.000,00 (Cinqüenta Mil reais), outros valores foram de um dos patrocinadores que é o Grupo J Mendes. Foi criada uma equipe de pesquisadores, o principal responsável pela organização é o produtor Cultural, Dalton Miranda que viajou todas ás cidades do centro oeste com o fotografo Geraldo Márcio. Foram realizadas mais de cinqüenta fotografias em cada uma das cidades, e foram selecionadas quinze fotografias de cada cidade, todas serão publicas no livro. Geraldo Márcio foi que criou cada pagina do livro, e para não gerar discrepâncias capazes de despertar críticas, todas as historias dos municípios tem que ter apenas seis mil caracteres de computador, o livro vai possui além da historia de cada município os dados geográficos, cada município vai receber o livro gratuito, a cada prefeitura se dado dois exemplares. Demais serão vendidos para lucro do trabalho. O livro era para ser lançando neste mês de dezembro, devido aos problemas de saúde do historiador, será em uma outra data ainda não definida.

 

Rádio Santana: Qual a principal contribuição que o senhor proporcionou a Itaúna nossa terra?

 

Guaracy de Castro: É muito difícil falar sobre isso, pois eu me envolvi em todos os movimentos. O meu primeiro grande trabalho, que eu considero importante foi quando fui eleito presidente da Câmara Municipal de Itaúna. A mesma não era independente, funcionava na prefeitura, os funcionários eram cedidos pela prefeitura e fui eu que fiz a independência do poder legislativo, a partir do governo de Antonio Dornas de Lima, a Câmara tornou-se independente como está prevista na constituição.

 

Na Escola Normal, hoje Escola Estadual de Itaúna, que era somente para moças, tivemos a coragem de dividir homens na escola normal no curso ginasial, somente os moços pobres carentes entravam na Escola Normal e quem tinha dinheiro ia para o Ginásio Santana, hoje Colégio Santana que não tinha aluno, com isso eu ajudei muito o Ginásio Santana, tanto é que o Padre Pedro Sconaque, o primeiro diretor do Colégio Santana era muito meu amigo.

 

A criação da Universidade de Itaúna, eu acho que foi um marco mais importante da minha atuação, porque eu não pedi para ser reitor, e peguei uma obra na estaca zero, deixei com todos os cursos reconhecidos, com o terreno para o Campus, e evitei que a Universidade acabasse, pois quando foi criada teria que ter cinco cursos, era o conceito quantitativo.

 

Rádio Santana: Sua dedicação a Fundação Maria de Castro Nogueira e ao Instituto Maria de Castro Nogueira?

 

Guaracy de Castro: Tudo isso foi em função da Universidade de Itaúna, para reconhecer a Faculdade de Filosofia e Ciências e Letras, nós tínhamos que ter um ginásio de aplicação, um local onde os alunos pudessem praticar a atividade docente. Eu tinha comprado o prédio para a Faculdade de Direito, que foi o primeiro patrimônio, somente funcionava à noite, durante o dia era ocioso. Para a criação da Fundação foi utilizado o dinheiro do fundo de educação, que a Companhia Industrial Itaunense pagava e os filhos de operários estudavam na escola.

 

Era uma escola educacional, depois eu pensei no acervo que tinha e criei o Instituto Maria de Castro, com quarenta membros sendo alguns historiadores e alguns deles fazem parte do livro Centro Oeste História e Cultura.

 

Radio Santana: O senhor é a única pessoa que tem um acervo com todos os jornais de Itaúna. Como foi esse trabalho?

 

Guaracy de Castro: Isso é um registro do fracasso da comemoração do cinqüentenário de Itaúna, nos recolhemos naquela época jornais e depois o aniversário da cidade, não comemorado como se queria publicar, foi o principio da minha mania de colecionar documentos de Itaúna, a minha amizade com o jornalista Piu era muito grande, ele tinha muitos exemplares do Jornal “Folha do Oeste” em duplicata eu fui lá e tirei as duplicatas e fiquei tendo um acervo razoável dos jornais, com a morte do Piu, o jornalista José Waldemar Teixeira de Mello assumiu a “Folha do Oeste” e depois passou a ser “Folha do Povo”. Eu tenho todos os exemplares e já comecei a colecionar o Jornal “Brexó”, tenho também todos os exemplares do extinto “Itavox”; consegui ainda exemplares do jornal “O Violenta”, jornal que minha avó publicou somente de mulheres, ainda no século dezenove. “O Furão”. jornal que também existiu no passado, até que um dia descobri o jornal mais antigo de Itaúna, “O Centro de Minas”, publicado em Santana de São João acima, de 1892. Tenho a coleção completa desde jornal, de propriedade de Dr. Manoel Gonçalves de Souza que sem dúvida foi uma das maiores autoridades de Itaúna, “O Ascleia” foi outro jornal que veio em seguida e que também tenho todos os exemplares. Eu posso escrever a história de Itaúna, metade do século dezenove baseado nestes jornais, todos possuem artigos fantásticos do ponto de vista literário, todos os jornais estão encadernados, deve ter cerca de cinco mil exemplares de jornais.

 

Radio Santana: O significado de Itaúna para o senhor?

 

Guaracy de Castro: Ita: Pedra, Una: Negra, este é o nome de nossa cidade, eu sou itaunense barranqueiro do Rio São João e quero os meus ossos enterrados neste sagrado território, Itaúna é pra mim mais importante que Minas Gerais e muito mais importante que o Brasil.

 

Radio Santana: A Rádio Santana FM agradece ao ilustre historiador Guaracy de Castro Nogueira pela entrevista exclusiva para a nova coluna do site da emissora. A ele o nosso agradecimento especial. Projeto e idealização Helenio Lara – Entrevista de Mateus Reis.

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